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 Processamento Auditivo

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Contribuição da Fonoaudióloga Fátima Branco-Barreiro, Doutora em Neurosciências e Compotamento e Professora Adjunta em Audiologia da UNIBAN, S.P.

E-mail para contato: fatima@branco.fnd.br

Processamento Auditivo (PA) é o conjunto de processos e mecanismos que ocorrem dentro do sistema auditivo em resposta a um estímulo acústico e que são responsáveis pelos seguintes fenômenos: localização e lateralização do som, discriminação e reconhecimento de padrões auditivos,  aspectos temporais da audição, incluindo resolução, mascaramento, integração e ordenação, performance auditiva com sinais acústicos competitivos e com degradação do sinal acústico (ASHA, 1995).

  Características dos indivíduos com Alteração de PA

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dificuldade em compreender a fala na presença de ruídos e/ou em grupos;

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tempo de atenção curto;

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ansiedade e estresse quando escuta;

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facilmente distraído;

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dificuldade em seguir direção;

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dificuldade para lembrar informações auditivas;

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pior habilidade de fala, linguagem escrita e/ou leitura;

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comportamento impulsivo;

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dificuldade de organização e seqüencialização de estímulos verbais e não-verbais;

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utilização de pistas visuais para compreender a mensagem falada;

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tempo de latência aumentado para emissão de respostas;

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respostas inconsistentes aos estímulos auditivos recebidos.

Um distúrbio no processamento auditivo central só pode ser detectado por meio de testes específicos que avaliem as funções auditivas centrais.

Bateria de Testes Comportamentais que Avaliam o PA  

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Monaurais de baixa redundância: testes que degradam o sinal acústico de alguma maneira ou que introduzem um sinal acústico competitivo. Exemplos: Teste de Fala no Ruído, Teste Pediátrico de Inteligibilidade de Fala com Mensagem Competitiva Ipsilateral, Teste de Fala Filtrada.

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Dicóticos: testes que apresentam estímulos distintos e simultâneos às duas orelhas. Exemplos: SSW – Teste de dissílabos alternados; Dígitos Dicóticos; CES - Sons Ambientais Competitivos.

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Ordenação Temporal: testes que avaliam as habilidades de reconhecimento de padrões de seqüencialização e ordenação temporal de estímulos não-verbais. Exemplos: PPST – Teste de Reconhecimento do Padrão de Freqüência; DPST – Teste de Reconhecimento do Padrão de Duração.

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Interação Binaural: testes que apresentam fragmentos da informação acústica a cada orelha simultaneamente e que necessitam da integração destas informações para se chegar à mensagem completa. Exemplos: MLD – Limiar Diferencial de Mascaramento; Teste de Fusão Binaural.  

Avaliação eletrofisiológica

Pode ser utilizada como complemento da avaliação comportamental do PA e pode incluir os seguintes procediemntos:

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Audiometria de Tronco Cerebral (ABR): medida objetiva da transmissão dos sinais acústicos no tronco cerebral. Ocorre aproximadamente até 10 milisegundos após a apresentação do estímulo.

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Potenciais de Média Latência (MLR): medida objetiva da transmissão dos sinais acústicos na região talâmica. Ocorre aproximadamente de 10 a 90  milisegundos após a apresentação do estímulo.

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Potenciais de Longa Latência (P300 e MMN): avaliam os centros auditivos corticais.

Finalidades da avaliação do PA

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determinar  ou não a presença de habilidades auditivas deficientes;

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fornecer informações sobre o local da disfunção no sistema nervoso auditivo central, no indivíduo adulto;

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ressaltar as habilidades preferenciais para a aprendizagem;

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descrever os parâmetros e extensões destas alterações;

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    estabelecer diretrizes e critérios que possam auxiliar na elaboração de um programa de reabilitação.

Quem se beneficia da avaliação comportamental do PA

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indivíduos com idade superior a 5 anos;

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indivíduos com audição periférica suficiente, isto é, média tonal até 40dB NA com simetria de limiares entre orelhas e I.P.R.F. de no mínimo 70% e a diferença do índice entre as orelhas não exceda 20% (KATZ, 1994);

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indivíduos com nível de atenção que permita a realização dos testes;

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indivíduos com função cognitiva que permita a realização dos testes;

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indivíduos com habilidades de linguagem receptiva e emissiva (desenvolvimento suficiente para compreender as tarefas verbais solicitadas e produção de fala inteligível).

Tipos de distúrbios de PA

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Decodificação Auditiva: déficit de reconhecimento de sons isolados, sílabas e/ou palavras ouvidas; dificuldade nas habilidades auditivas de figura-fundo, fechamento auditivo e/ou atenção seletiva.

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Integração Auditiva: déficit no reconhecimento de padrões gestálticos da palavra e frase; dificuldade em tarefas que envolvam duas ou mais modalidades sensoriais.

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Associação Auditiva: déficit na recepção da linguagem, no reconhecimento de palavras homônimas e metáforas.

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Organização de Saída: déficit na seqüencialização e no planejamento e organização da resposta.

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Função Não-Verbal: déficit na identificação e utilização dos aspectos prosódicos de enunciados relacionados ou não a pistas não-verbais, expressões faciais, corporais e gestos.

Reabilitação

A reabilitação do indivíduo com distúrbio do PA deve ser planejada e realizada por diferentes profissionais (fonoaudiólogo, neurologista, psicólogo) baseando-se nas necessidades individuais de cada paciente dependendo da natureza, das manifestações funcionais e do grau do problema. Envolve a modificação ambiental, para garantir o acesso à informação auditiva, a intervenção direta, que se trata do uso de técnicas que trabalhem as habilidades auditivas deficientes, e o uso de estratégias compensatórias, como uso de pistas visuais, contextuais e linguísticas.

Bibliografia

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ALVAREZ,A.M.B.M.A.; CAETANO,A.L.;NASTAS,S.S. Processamento Auditivo Central: Avaliação e Diagnóstico. Fono Atual, 1 (1): 34-36, 1996.

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Última modificação: 09 February, 2004